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Barragem em Brumadinho: o que se sabe até agora sobre o rompimento - Rádio Itay 88 FM

Barragem em Brumadinho: o que se sabe até agora sobre o rompimento

Ao menos 34 pessoas morreram e ao menos 299 estão desaparecidas após o rompimento de uma barragem da mineradora Vale no município de Brumadinho, localizada na zona metropolitana de Belo Horizonte. O número de mortos já supera o da tragédia em Mariana, que deixou 19 mortos. Ao menos 81 pessoas estão desabrigadas e 23 recebem atendimento em hospitais.

Na manhã deste sábado, em uma coletiva de imprensa, autoridades informaram que dois corpos já foram resgatados na madrugada, assim como 183 pessoas que estavam ilhadas. Mais 46 pessoas também foram resgatadas e estão recebendo atendimento médico.

As Vale disse ainda que 412 pessoas, entre funcionários e profissionais terceirizados não puderam ser contatados. No fim da manhã, as equipes de resgate encontraram um ônibus com pessoas dentro, porém todas estão mortas.

Bombeiros também disseram que há equipes focadas no resgate de pessoas em uma locomotiva e um imóvel na região, onde há chance de haver sobreviventes.

O juiz do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) Renan Chaves Carreira Machado, a pedido da Advocacia Geral do Estado (AGE), determinou o bloqueio de R$ 1 bilhão das contas da empresa Vale, após o rompimento da barragem. O valor deve ser disponibilizado em uma conta judicial.

A medida, proposta pelo Estado de Minas Gerais e decidida pela Justiça em caráter liminar, busca oferecer “imediato e efetivo amparo às vítimas e redução das consequências (…) e na redução do prejuízo ambiental”.A decisão determina, ainda, que a empresa apresente, em até 48 horas, “um relatório sobre as ações de amparo às vítimas, adote medidas para evitar a contaminação de nascentes hidrográficas, faça um planejamento de recomposição da área afetada e elabore, de imediato, um plano de controle contra a proliferação de pragas e vetores de doenças diversas”.

A Vale foi multada pelo Ibama em R$ 250 milhões devido aos danos ao meio ambiente causados pelo rompimento das barragens da mina do córrego do Feijão. Foram cinco infrações no valor de R$ 50 milhões cada, o máximo previsto na Lei de Crimes Ambientais.

Em entrevista coletiva, o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, afirmou que funcionários da empresa compõem a maioria dos atingidos pelo rompimento da barragem.

Há três anos, em novembro de 2015, outra barragem da empresa em Minas Gerais, na região de Mariana, também se rompeu, matando 19 pessoas.

Em nota divulgada logo após o rompimento, a mineradora informou que os rejeitos liberados pela barragem atingiram a área administrativa da empresa no local, conhecido como Mina Córrego do Feijão. A lama também atingiu parte da comunidade da Vila Ferteco, nas proximidades. Ambos ficam a 18 km do centro de Brumadinho.

“O resgate e os atendimentos aos feridos estão sendo realizados no local pelo Corpo de Bombeiros e Defesa Civil. Ainda não há confirmação sobre a causa do acidente”, disse a empresa.

“A Vale acionou o Corpo de Bombeiros e ativou o seu Plano de Atendimento a Emergências para Barragens. A prioridade total da Vale, neste momento, é preservar e proteger a vida de empregados e integrantes da comunidade”, continuou o comunicado.

Imagens feitas no local do acidente pela TV Record mostram pessoas sendo resgatadas na lama, com a ajuda de um helicóptero. Segundo a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais, quatro vítimas, três mulheres e um homem, estariam sendo atendidas no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte.

Mapa

À BBC News Brasil o secretário adjunto de Saúde de Brumadinho, Geraldo Rodrigues do Carmo, disse que funcionários da mineradora relataram, por telefone, ter visto a lama atingir a portaria e o refeitório da empresa no horário do almoço. Ainda acordo com Carmo, além de concentrar a administração da Vale, a Vila Ferteco abrigaria casas e sítios, mas não seria muito populosa.

No cadastro nacional da Agência Nacional de Mineração, a barragem do Córrego do Feijão é classificada como uma estrutura de pequeno porte com baixo risco e alto dano potencial.

A lei 12.334/10 explica que o risco é calculado “em função das características técnicas, do estado de conservação do empreendimento e do atendimento ao Plano de Segurança da Barragem”. Já o dano potencial se refere ao “potencial de perdas de vidas humanas e dos impactos econômicos, sociais e ambientais decorrentes da ruptura da barragem”.

Em nota, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável informa que o empreendimento e a barragem em Brumadinho estão devidamente licenciados.

Em dezembro de 2018, a Vale obteve licença para o reaproveitamento dos rejeitos dispostos na barragem e encerramento de atividades.

“A barragem não recebia rejeitos desde 2014 e tinha estabilidade garantida pelo auditor, conforme laudo elaborado em agosto de 2018. As causas e responsabilidades pelo ocorrido serão apuradas pelo governo de Minas.”

Comunicado de Bolsonaro

O porta-voz da Presidência da República, Otávio Santana do Rêgo Barros, informou que o presidente Jair Bolsonaro pretende ir ao local neste sábado, às 8h, e que um gabinete de crise foi criado para monitorar a situação.

Pelo Twitter, Bolsonaro disse que lamenta o ocorrido e que os ministros do Desenvolvimento Regional, Minas e Energia e do Meio Ambiente, assim como o Secretário Nacional de Defesa Civil, viajarão à região.

“Nossa maior preocupação neste momento é atender eventuais vítimas desta grave tragédia”, escreveu.

Barragem da ValeDireito de imagemREPRODUÇÃO/GOOGLE MAPS
Image captionA distância entre a sede da mineradora e a barragem que se rompeu é de cerca de 1,6 km

Resgate e orientações

A secretária de Saúde de Brumadinho não conseguiu enviar equipes para ajudar nos atendimentos pela dificuldade de acesso ao local – a rodovia que leva até lá foi bloqueada.

O governo de Minas Gerais informou que a Defesa Civil do Estado mandou uma equipe para o lugar atingido, com o objetivo de ajudar no resgate das vítimas. Já o batalhão do Corpo de Bombeiros mineiro enviou três helicópteros para a operação, que também conta com uma aeronave da Polícia Civil e outra do Exército.

Vista aérea da região de BrumadinhoDireito de imagem: CORPO DE BOMBEIROS DE MINAS / DIVULGAÇÃO
Imagem captada: A área atingida pelos rejeitos, em imagem feita pelo Corpo de Bombeiros de Minas

A prefeitura de Brumadinho orientou os moradores a não se aproximarem do leito do Rio Paraopeba, próximo à área atingida pelo desastre.

Moradores da cidade disseram à BBC que pessoas que vivem perto do rio foram orientadas pela Defesa Civil a deixarem suas casas. Um trecho do Paraopeba cruza o centro de Brumadinho.

O museu privado a céu aberto de Inhotim, que também fica na região, anunciou que evacuou suas dependências como medida preventiva.

Em nota, a Vale afirmou que a barragem foi construída em 1976, pela Ferteco Mineração (adquirida pela Vale em 2001). Segundo a empresa, os rejeitos dispostos ocupavam um volume de de 11,7 milhões de metros cúbicos.

A Vale diz que a barragem possuía Declarações de Condição de Estabilidade emitidas pela empresa TUV SUD do Brasil em junho e setembro de 2018. “A barragem possuía Fator de Segurança de acordo com as boas práticas mundiais e acima da referência da Norma Brasileira. Ambas as declarações de estabilidade mencionadas atestam a segurança física e hidráulica da barragem”, diz a companhia.

A Vale diz ainda que a Barragem passava por inspeções de campo quinzenais. “Todas estas inspeções não detectaram nenhuma alteração no estado de conservação da estrutura.”

Há três anos, outra tragédia

Em novembro de 2015, outra barragem da Vale, na região de Mariana, também em Minas Gerais, se rompeu, matando 19 pessoas, destruindo totalmente três distritos – Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo e Gesteira, esta última a 60 km de Mariana – e deixando milhares de pessoas desalojadas.

Administrada pela Samarco, a barragem de Fundão liberou 34 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério, que desceram 55 km pelo rio Gualaxo do Norte até o Rio do Carmo e outros 22 até o Rio Doce.

A avalanche de lama percorreu 663 km de cursos d’água e atingiu 39 municípios em Minas Gerais e no Espírito Santo – o maior desastre ambiental do país.

 

Fonte: BBC News Brasil

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